5 de jun. de 2010

A importância das ONG's Culturais para a promoção de uma sociedade mais igualitária









Muito se tem falado hoje em dia da importância do trabalho das ONG’s nos diversos âmbitos sociais. Seu principal objetivo, portanto, é promover melhorias para a sociedade sem esperar por lucro ou pagamento daqueles que são por elas beneficiados.
As ONG’s de cunho cultural, por sua vez, têm como principal meta promover atividades culturais para a população, visando construir valores e também um entretenimento saudável a seus participantes.
Algumas têm um objetivo que vai além disso, procurando também prover uma melhor qualidade de vida para seus participantes, incentivando-os a terem sua própria geração de renda por meio dos trabalhos realizados. A própria ONG sobrevive, muitas vezes, devido a venda de objetos feitos por ela mesma.
Pode-se considerar que o trabalho de uma ONG é um primeiro passo para a inserção social de muitas pessoas, que não são valorizadas quanto a sua capacidade e desenvolvimento. No âmbito cultural esses sujeitos têm a chance de expressar e até mesmo conhecer um pouco mais de sua própria cultura e perceber-se assim como um sujeito capaz de exercer sua cidadania e expressar suas ideias e opiniões socialmente.
Dessa forma, é necessário que o trabalho as ONG’s vise aperfeiçoar e mudar comportamentos, a fim de melhorar a condição de vida das pessoas, muitas vezes marginalizadas e sem perspectivas de vida. É essencial que os idealizadores dessas organizações busquem sempre trazer novidades e incentivem os membros a participarem das atividades, não esperando algum lucro por seu trabalho ( no caso das ONG’s que vendem seus produtos, como veremos mais adiante) mas sim visando a realização pessoal e o crescimento de sua vontade de ajudar aos que mais necessitam. Nem sempre a realização financeira é o mais importante, mas o mais interessante em um serviço comunitário é perceber que sempre pode-se fazer algo para melhorar a realidade a nossa volta: basta um pouco de boa-vontade e dedicação, para a construção de uma sociedade melhor para todos.
A seguir, são descritos alguns casos de Organizações não Governamentais de cunho cultural, que visam promover e mudar comportamentos culturalmente.
ONG’s Culturais: três casos de sucesso



AfroReggae – Rio de Janeiro



Foi fundada em 1993 e tem como principal objetivo transformar a realidade de moradores das favelas, utilizando a arte, a educação e a cultura como instrumentos de inserção social. Desde sua fundação a ONG investe em promover atividades artísticas, como percussão, circo, grafite, teatro e dança a fim de criar diferentes segmentos sociais.
Faz parte da ONG a Orquestra Afro Reggae Diego Frazão, que realiza várias apresentações artísticas.
Os principais projetos da ONG são:



• Papo de Responsa



É um trabalho em parceria com a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, com o apoio da Natura. O maior objetivo deste projeto é percorrer escolas e empresas promovendo um bate-papo sobre assuntos informais, visando uma maior conscientização sobre temas do cotidiano. O projeto foi iniciado depois que o policia civil Roberto Chaves assumiu a palestra de Norton Guimarães, para menores infratores no Degase. Norton permaneceu preso por onze anos por roubo de cargas e atualmente é coordenador do projeto Empregabilidade, também do AfroReggae. Porém para que o projeto pudesse ser iniciado, foram necessários vários esforços, principalmente em se tratando de quebrar preconceitos e intolerâncias, que são na maioria das vezes o maior motivo da violência.



• Oficinas Culturais do Degase



O projeto foi iniciado em julho de 2008 e é realizado em parceria com a Secretaria Estadual de Educação nas unidades do Departamento Geral de medidas Sócio-educativas, no Rio de Janeiro. O objetivo é capacitar os menores infratores com oficinas de percussão, teatro e grafite. Com isso, busca-se incentivar o contato com manifestações culturais, fortalecer a auto-estima e a valorização social, além de transformar em futuros multiplicadores da arte e da cidadania dentro e fora das unidades. Atualmente três unidades participam deste projeto; Escola João Luiz Alves, Educandário Santos Dumont e Centro de capacitação Profissional, que atua com jovens em liberdade assistida. Participam das oficinas cerca de 120 jovens.
Entre seus principais patrocinadores da ONG estão o Banco Santander, Natura, e Petrobras.



ONG ArteSol – Artesanato Solidário



A ONG tornou-se em 1998, um programa social no âmbito do Conselho da Cominudade Solidária. Inicialmente seus idealizadores elaboraram seis projetos de incentivo à geração de trabalho e renda através da revitalização do artesanato em Minas Gerais. A partir de 2002 a ONG transferiu-se para São Paulo, onde até hoje já desenvolveu cerca de 42 projetos relacionados ao artesanato. Atualmente a ArteSol também comercializa seus produtos, o que gera renda para que a ONG se mantenha.
O maior foco da ONG, porém, é o de promover oficinas culturais de capacitação em diversas áreas temáticas. Os projetos em campo têm como objetivo, ao cabo das atividades programadas, formar um grupo autônomo para gerir seu negócio, preferencialmente reunido em torno de uma associação ou cooperativa, e com um produto de preço justo e apto para competir no mercado nacional e gerar mais renda para os artesãos e suas famílias. Isso permitiria novo fôlego ao artesanato produzido por determinado grupo, com a promoção de oficinas de capacitação em diversas áreas temáticas
Faltava, pois, um acesso mais amplo ao mercado e a pesquisa de nichos adequados a esses produtos. Ao incorporar, com a criação da Oscip, também a função comercial, seu objetivo foi ser mais uma opção para os artesãos comercializarem seus produtos, além dos mercados locais e regionais, feiras livres e até mesmo lojas de sua associação ou cooperativa, com visibilidade e localização quase sempre restritas.
Assim a ArteSol procura gerar trabalhos a partir de sua iniciativa, e além disso também promove Pontos de Cultura, onde os membros podem trocar experiências. Já existem cerca de 100 projetos da ONG distribuídos em 17 estados brasileiros.
Veja abaixo dois projetos da ONG já realizados em São Paulo e também um ponto de cultura fixo da organização:



• Projeto “A caxeta e os sabres locais”



O Vale do Ribeira é privilegiado por seu artesanato caiçara, muito variado em fibras naturais como taboa, cipós diversos, bambu, palha de milho e produtos feitos em caxeta, como instrumentos musicais do fandango, pássaros, pequenas embarcações. Iguape é um dos municípios do Roteiro Vertente Oceânica Sul-Atlântica Lagamar, do Programa de Regionalização do Turismo.
A localidade de Vila Nova, no distrito de Icapara, encontra-se a 15 km de Iguape, município com muito atrativos do complexo do Lagamar paulista e muitas festas locais, como a Romaria do Bom Jesus, o Festival do Fandango, a Folia de Reis e Revelando Iguape. Em Vila Nova, diversos artesãos, descendentes das famílias de pescadores, mantêm viva a cultura caiçara através da produção de rabecas, tamancos, miniaturas de barcos e animais produzidos em caxeta – uma árvore de porte médio, cuja madeira amarelada é mole, de textura média, levíssima e fácil de ser trabalhada.
O Artesanato Solidário/ArteSol, em parceria com o Ministério do Turismo, desenvolve o projeto de promoção do turismo, “A caxeta e os saberes locais”, associado à produção e comercialização do artesanato de tradição.



Município: Iguape
Localidade: Vila Nova/Icapara
Técnica artesanal: entalhe em madeira
Duração do projeto: 2006/2007
Número de artesãos: 15
Gênero: a maioria homens
Beneficiários indiretos: 75 pessoas
Parceiros locais: Prefeitura Municipal, Secretaria de Cultura
Parceiro financiador: Ministério do Turismo



• Artesanato em Apiaí – São Paulo



Por várias gerações algumas localidades do Vale do Ribeira, entre elas Apiaí/SP, conservaram o saber-fazer de panelas, moringas, potes, com o barro abundante na região. Com peças inicialmente feitas para o uso cotidiano, quando foram "descobertas" e valorizadas a partir dos anos 50, a técnica dá vida a uma enorme variedade de formas para atender ao mercado, mantendo assim a tradição. O apoio à comercialização foi um dos pontos de atuação do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/IPHAN e do Artesanato Solidário/ArteSol.



Município: Apiaí
Localidade: sede do município e bairros
Técnica artesanal: cerâmica
Duração do projeto: 2001–2002
Nº de artesãos: 25
Gênero: todas mulheres
Beneficiários indiretos: 125
Apoio: Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular/IPHAN, Museu do Folcore Edison Carneiro



• Ponto de Cultura Caiçara da Barra do Ribeira, Iguape – São Paulo



O ponto funciona na sede da Associação dos Jovens da Juréia e envolve diretamente 15 pessoas e seus maiores objetivos são: revitalizar a cultura caiçara de Juréia, especialmente pela música de Fandango, e contribuir para a melhoria da qualidade de vida da comunidade caiçara. Desde 1993 são realizadas oficinas de condução e confecção de rabecas e viola branca, apresentações de Fandango, discussões sobre desenvolvimento sustentável, além de oficinas de artesanato para geração de renda.





ANID – Ação Negra de Integração e Desenvolvimento



A ONG foi criada no ano de 1997 na cidade de Barueri com o objetivo de trabalhar em prol da comunidade negra e também por uma sociedade justa, igualitária e com ideias de ajudar e contribuir de alguma forma com a causa da população negra.
Um dos primeiros cursos do Projeto Integração dos Povos foram os de idiomas básicos (inglês e espanhol), juntamente com aulas de cidadania. Também foram oferecidos cursos de logística para maiores de dezoito anos.
Os familiares dos alunos também participam do projeto através da oficinas culturais de pintura em tecido e biscuit, sendo que o material didático e o lanche são gratuitos.
A ONG tem também outros projetos, porém seu foco é mais em promover a educação com cursos preparatórios para vestibular e qualificação profissional.





• Curso básico de fotografia



Ano de implantação: 2007
Financiador: Prefeitura Municipal de Barueri
Número de atendidos: 22
Público-Alvo: jovens e adultos
Objetivo: desenvolver nos alunos o lado criativo da arte de fotografar enriquecendo a percepção em relação ao mundo.





ONG Ecoa – Teatro Social



Em 08 de Julho de 2004, foi fundada a Equipe Cultural Olhos Abertos (ECOA), com o objetivo de ampliar os trabalhos realizados por um grupo de pessoas de boa vontade, remanescentes do Grupo de Teatro Geração Nova, que atuava na Igreja Dom Bosco.
No ano de 2005 a ONG cresceu e tomou-se a necessidade trabalhar com o teatro. Assim iniciaram-se as Oficinas Teatrais. A primeira apresentação teatral aconteceu em 2005.
Logo, o Teatro Ecoa segue alguns princípios que ajudam a dar uma identidade ao seu projeto. Uma das influências mais fortes é o movimento teatral contemporâneo do Teatro Pobre proposto pelo polonês Jerzy Grotowsky, que propõe um teatro despojado, onde o que basta é a criatividade e não somente figurinos e cenários. Seus membros são todos voluntários e entre seus principais patrocinadores estão a ECO – UFRJ, Centro Universitário Celso Lisboa e Habib’s.



Trabalho de pesquisa realizado por Adriana Petersmann, Alaba Daiana, Cristiane Correia, Denise Oliveira, Jéssica Leite, Maria Ilma e Regiane Paes, ambas alunas do 7º Semestre do curso de Pedagogia do Centro Universitário Sant'Anna



Fontes:



http://www.teatroecoa.com/index.htm
http://www.artesol.org.br/portal/groups/04.html
http://anid.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=5&Itemid=26 http://www.afroreggae.org.br
Acessos em 10/04/10

0 comentários:


Blogspot Template by Isnaini Dot Com